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‘A ingerência estrangeira e a demagogia do crime’

Interlocução entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro pelo financiamento do filme Dark Horse tem ingredientes de lavagem de dinheiro

Foto: Sheila Leal

Por Alberto Cantalice (*)

 As recentes pesquisas fizeram parte da Faria Lima e o núcleo duro do bolsofascismo entrar em parafuso. A cada dia que passa aumenta agonia no front do PL e seus aliados. As ligações perigosas entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro transformaram-se em um filme cuja promiscuidade e a desfaçatez fazem corar os adeptos das pornochanchadas da Boca do Lixo paulistana. A interlocução entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro pelo financiamento do Dark Horse tem ingredientes de uma grande lavanderia de capitais, travestida de financiamento cultural. 

Por outro lado, o filho do ex-presidente, que está preso, bate às portas de Donald Trump buscando fazer com que ele interfira nas eleições brasileiras. A mesma interferência que foi observada recentemente nas eleições da Argentina, Colômbia e Peru. O primeiro sintoma dessa interferência foi quando da classificação das facções criminosas que atuam no Brasil, como organizações terroristas. Em vez de construir uma parceria contra o crime organizado, como propôs o presidente Lula, Trump, que não consegue resolver a penetração do tráfico de drogas em suas fronteiras, quer usar os países da América Latina como subterfúgio. 

É claro que a segurança pública será uma das prioridades do governo Lula se vencer novamente as eleições. Prioridade que já está posta desde a entrega para a discussão e aprovação pelo Congresso Nacional do PL Antifacção e da PEC da Segurança Pública. 

A instituição do SUSP, Sistema Único de Segurança Pública, permitirá ao governo federal atuar junto aos estados e municípios no combate a todo tipo de crime. Desde o furto de celular nas vias públicas até o lavador de dinheiro dos bairros nobres. 

A transformação de 150 unidades prisionais estaduais em presídios de segurança máxima fará com que os cabeças das organizações criminosas do tráfico e da milícia sejam separados dos demais apenados enfraquecendo a cooptação. 

É preciso ainda encaminhar a construção de novas unidades prisionais para que se possa buscar a ressocialização de pequenos infratores e não reincidentes, nem faccionados. Separando-os da massa carcerária.   

Derrotar a extrema direita 

A caminhada da extrema direita rumo a derrota nas eleições presidenciais de 2026, tem que vir acompanhada da derrota das forças conservadoras na Câmara e no Senado da República. É preciso que, reeleito, o presidente Lula possa ter um Congresso menos hostil do que o atual e que possa facilitar a aprovação das pautas dos interesses populares. 

É o momento que os partidos de esquerda e centro esquerda têm que aproveitar a maré e eleger pelo menos 200 deputados federais e uma forte bancada de senadores. O discurso para eleger uma bancada forte deve utilizar como base as muitas entregas do governo federal, dentre elas a isenção do Imposto de Renda e a luta de Lula pela instituição da escala 5/2 no mundo do trabalho.  

Outra política importante é o financiamento para os trabalhadores em aplicativo e taxistas para a aquisição de carros, motos e bicicletas com juros muito abaixo do mercado, que repara uma injustiça, já que o agronegócio e a indústria têm altos subsídios. Coisa que não se observa no mundo do trabalho. 

 (*) Diretor de comunicação da Fundação Perseu Abramo.